Investigação
Gutemberg: investigados citaram seis deputados, vice-governador e atual conselheiro em tentativa de cooptar prefeitos
INVESTIGA MS WENDELL REIS
Nomes de deputados, vice e conselheiros foram citados para acesso e convencimento de prefeitos para aderir à compra de livros em troca de favorecimentos na saúde.
Relatório do Gaeco cita o nome de lideranças políticas durante tentativa de convencimento de prefeitos a aceitarem a participação em um esquema de venda de materiais da EDITORA AVANTE para várias prefeituras do Estado de Mato Grosso do Sul, em troca de vantagens na regulação da saúde.
O Pedido de Investigação Criminal mostra o coordenador da Regulação da Saúde, Ed Carlo e Gabriel Taquino, que se apresentava como vendedor da editora Avante, citando lideranças como caminho para chegarem a prefeitos.
Foram citados o vice-governador Barbosinha, deputado federal Dagoberto Nogueira (PP), atual conselheiro do Tribunal de Contas, Sérgio de Paula, e os deputados estaduais Jamilson Name (PP), Paulo Corrêa (PL), Lídio Lopes (Avante), Mara Caseiro (PL) e Herculano Borges (então deputado).
Confira os diálogos:
Em uma das conversas, Gabriel pede para Ed Carlo falar com Paulo Corrêa para ajudar a “fazer dinheiro”. Em outro, Ed Carlo diz que vai alinhar com Jamilson Name e volta a dizer que vai pedir ajuda para Paulo Corrêa.
Em outro diálogo, Ed Carlo diz que vai até o deputado federal Dagoberto Nogueira para conversar sobre Paranaíba. Eles citam sucesso em alguns negócios com municípios e dizem que vão conversar com Tiago, descrito como genro da deputada estadual Mara Caseiro.
Uma outra gravação mostra possível conversa com o deputado Lídio Lopes, na casa dele e da prefeita Adriane Lopes.
Em nova conversa flagrada, a dupla cita o vice-governador Barbosinha e o então deputado Herculano Borges.
O atual conselheiro do Tribunal de Contas, Sérgio de Paula, também é mencionado em conversas.
Encaminhamento para a procuradoria
Os investigadores relatam que houve menções a diversas Prefeituras do Estado de Mato Grosso do Sul, além da citação de autoridades com prerrogativa de foro (Prefeitos e Deputados Estaduais), bem como de possíveis servidores e particulares vinculados aos respectivos agentes políticos, que supostamente auferiram vantagens ilícitas com as alegadas vendas de livros aos municípios. Eles encaminharam o caso ao procurador Romão Ávila, por se tratar de autoridades com foro.
O procurador Romão Ávila considerou que, em que pese as relevantes provas produzidas até o presente momento, seria necessário o retorno dos autos à origem para que, na continuidade das investigações com relação a outros investigados que não possuem prerrogativa de foro, fosse possível a colheita de elementos.
O desembargador Odemilson Roberto Castro Fassa destacou que a procuradoria informou que, apesar das citações a diversas prefeituras, bem como nomes de autoridades com prerrogativa e foros (prefeitos e deputados estaduais), é necessário obter outros elementos que sejam aptos a ensejar o início de uma investigação em face de agentes políticos, supostamente envolvidos no referido esquema criminoso.
“Sendo assim, defiro o pedido do Procurador-Geral de Justiça, para remeter o presente procedimento investigatório criminal, e seus respectivos apensos, ao Juízo da 2ª Vara Criminal da Comarca de Campo Grande, com posterior vista dos autos ao Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado – GAECO/MS, para a continuidade das investigações, sem prejuízo de retorno dos autos a essa egrégia Corte na eventualidade de serem apurados novos indícios de participação de agentes com foro por prerrogativa de função”, concluiu.
Embora os investigados tenham dito que conversariam com deputados, não há nos documentos que a reportagem teve acesso a prova da efetivação, até porque eles não tiveram os sigilos quebrados até o momento.
A reportagem entrou em contato com os citados e até a publicação não recebeu retorno. O espaço segue aberto.
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