Lula assina retomada de fábrica de fertilizantes em MS e critica quem defende 'vender' a Petrobras

DOURADOS NEWS FABIANE DORTA


Assinatura durante evento em Três Lagoas - Crédito: Reprodução / Planalto

Em primeira agenda em Mato Grosso do Sul nesta quinta-feira, dia 25, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, assinou junto com a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, contratos com sete empresas que venceram os processos licitatórios para finalizar as obras da UFN-III (Unidade de Fertilizantes Nitrogenados) pela Petrobras, em Três Lagoas, paralisadas há mais de uma década.

“Eu ainda sonho que a gente vai ter, se não 100%, a gente vai ter assim 70% de todo o fertilizante que nós precisamos nesse país. Porque um país jamais será soberano se ele não for dono das coisas principais que ele produz, jamais”, disse Lula em discurso.

Ele criticou o fato de obra ter ficado parada há quase 12 anos, mesmo com 81% dos trabalhos concluídos. “E o Brasil pagando preços absurdos de fertilizante que poderiam ser produzidos no Brasil, que aumenta a cada guerra que alguém quer dar no outro lá fora. E o pobre brasileiro, que vai comprar uma fruta, que vai comprar uma comida, paga o preço dessa guerra aqui no Brasil por irresponsabilidade de muita gente. Não é só do governo”, afirmou.

O setor foi impactado de forma significativa pela guerra entre Rússia e a Ucrânia, que começou oficialmente em 2022. Isso porque os russos são os principais fornecedores de fertilizantes para a agricultura brasileira. No discurso, Lula disse que como era mais barato para o setor importar, isso influenciou no fechamento de fábricas em localidades como a Bahia, Paraná e Sergipe, além da paralisação da UFN-III.

Ele ainda enalteceu o papel da Petrobras para o país e teceu críticas aos defensores da privatização da estatal. “Vira e mexe aparece alguém que faz denúncia, que acusa de uma empresa cara, que acusa de uma empresa deficitária e começa a querer vender a Petrobras. E quando eles percebem que não vão começar e não vão poder vender a Petrobras, eles começam a vender pedaço da Petrobras”, disse. “Na verdade, vocês precisam ficar atentos, porque muita gente, travestido de investidor, de gestor, na verdade é um vendedor de coisas públicas a preço de banana”, afirmou.

O QUE MUDA COM A UFN-III

A carteira de fertilizantes da Petrobras incluída no Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), inclui quatro unidades no país. Com as já instaladas no período de um ano, o país passou a produzir 20% da demanda, sendo que com a UFN-III o objetivo é passar essa proporção para 35% do mercado nacional.

Essa retomada das obras da UFN-III inclui sete empresas que somam R$ 4 bilhões do aporte de recursos, que ainda vai incluir a contratação de mais fornecedores para o R$ 1 bilhão restante destinado do PAC ao projeto.

Ao todo, serão gerados oito mil empregos diretos durante esses trabalhos. A previsão oficial é de que as obras terminem em 2029, mas a expectativa da presidente da Petrobras é de que sejam adiantadas para julho de 2028.

A previsão é de que a planta seja capaz de produzir 3,6 mil toneladas de ureia por dia, beneficiando especialmente os Estados do Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Paraná e São Paulo.

A localização da fábrica é considerada estratégica, porque o Centro-Oeste concentra 40% da demanda do país, impulsionada pelas culturas do milho, cana-de-açúcar, algodão e pastagens. A proximidade com polos agrícolas promete ampliar a confiabilidade do abastecimento e reduzir custos logísticos.

MAIS AGENDAS

Ainda nesta quinta-feira, Lula vai ao Assentamento Itamarati, em Ponta Porã, para a entrega títulos do Programa Terra da Gente. A agenda tem início às 12h40 com a previsão de participação da ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli.

Entre as medidas que serão anunciadas ali está a entrega de títulos de domínio a famílias do Itamarati. O assentamento abrange uma área de 50.081 hectares, onde foram assentadas 2.837 famílias.

Já a segunda agenda no município, marcada para 16h20, ocorre no aeroporto e contará também com a presença do ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca. Serão entregues, em ato simbólico, as reformas dos três aeroportos do estado, pelo Novo PAC: Ponta Porã, Corumbá e Campo Grande.

O investimento é privado, mas contou com ficanciamento em parte do BNDES.

Os aeroportos fazem parte de um total de 11 (incluindo Congonhas, em São Paulo (SP) que estão recebendo reformas da concessionária Aena Brasil, após a 7ª Rodada de Concessões Aeroportuárias promovida pela ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil).



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