Fim da 6×1: governistas dizem que vitória é de Lula e bolsonaristas alegam que esquerda votou contra escala 4×3

INVESTIGA MS WENDELL REIS


Bancada de MS votou favorável ao projeto do fim da escala 6×1.

Deputados federais de Mato Grosso do Sul continuam se dividindo em relação ao fim da escala 6×1, mesmo após aprovação. De um lado, os que indicam vitória da esquerda e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT); do outro, uma parte que acusa a esquerda de ampliar, ainda mais, os dias de descanso da população. 

O deputado federal Vander Loubet (PT) disse à reportagem que o fim da escala é a maior vitória do trabalhador após o fim da escala de 44 horas semanais, há 40 anos e considerou o fato uma vitória do governo e de Lula

“Ninguém teve coragem de ir contra, porque 75% da população era favorável e teria uma repercussão muito grande. O pais continua dividido, mas o presidente Lula está, cada vez mais perto, de vencer no primeiro turno”, resumiu o deputado. 

Deputados do PL foram na direção contrária e tentam emplacar a tese de que o PT votou conta a ampliação dos direitos. Ontem, antes da aprovação, deputados da oposição ao governo tentaram aprovar a escala 4×3, desafiando o PT a votar favorável. Porém, o PSOL também registrou o mesmo projeto, que acabou nem prosperando. Entretanto, os deputados do PL em Mato Grosso do Sul estão usando este argumento para criticar governo e a base.

“Votamos pelo fim da escala 6X1! Mas o auge da hipocrisia foi a esquerda não permitir sequer a discussão da escala 4×3! Desde 2024 tenho defendido a IMPORTÂNCIA de retirar os custos do impacto da redução de escala da CARGA TRIBUTARIA! Hoje tiveram a cara de pau de falar em plenário que quem vai arcar com os custos é o trabalhador! E isso é óbvio! Pois bem, se pra eles não existe custo, porque não reconhecer a escala 4×3?”, postou na rede social.

Rodolfo Nogueira compartilhou um vídeo onde o deputado federal Nikolas segue a mesma tese, acusando a base de manobra para não votar a proposta de escala 4×3. 

O deputado Beto Pereira disse à reportagem que a aprovação é uma conquista muito grande para os trabalhadores e pela conciliação dos interesses.  “Foi uma conquista muito grande para trabalhadores brasileiros e vitória de poder conciliar interesses dos trabalhadores, pequenos empreendedores no pais e da indústria e comércio”, analisou.

O deputado aproveitou para ressaltar que assinou outras emendas, com diferentes propostas sobre o tema, apenas para discussão, algo comum na Câmara, onde é preciso um mínimo de assinaturas para a tramitação. Entretanto, pondera que não há garantia de que isso se transformaria em voto, posteriormente.

Apensar da divisão, todos os oito deputados de Mato Grosso do Sul acabaram votando pela aprovação do fim da escala 6×1. A reportagem tentou contato com os demais deputados, mas não recebeu a retorno até a publicação.

O projeto

No primeiro turno, foram 472 votos favoráveis e apenas 22 votos contrários ao projeto, que com redução que se inicia em dois meses. Já no segundo, foram 461 a favor e 19 contra.

Ficou acordado que o salário do trabalhador não poderá ser reduzido. Em dois meses, a jornada cai de 44 para 42 horas e em 12 meses, chegará a 40 horas semanais, com dois dias de descanso.

O texto, que que agora tramitará no Senado, é um substitutivo do deputado Leo Prates (Republicanos-BA) para a PEC do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que previa jornada de 36 horas, e para a PEC 8/25, da deputada Érika Hilton (Psol-SP), também de 36 horas, em quatro dias trabalhados e três de folga.



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