El Niño começa a se formar e 2026 deve ser mais um ano de calor recorde e queimadas em MS

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Queimadas no Pantanal em 2024 (Foto: Angelo Rabelo)

Dois anos após vivenciarmos um El Niño de grande intensidade, outro fenômeno semelhante começa a se formar no Oceano Pacífico. Estudiosos da meteorologia afirmam que o próximo El Niño deve ser ainda mais intenso que o de 2024, o que significa calor intenso e grande chance de queimadas em Mato Grosso do Sul.

Diferente do La Niña, o El Niño tem como característica o aumento da temperatura nas águas do Pacífico, irradiando calor para todo o planeta. O último registrado, em 2023/2024, foi considerado um dos cinco mais fortes já registrados. O aquecimento superficial das águas do oceano Pacífico atingiu pico de 2°C acima da média de 1991 a 2020.

A ocorrência do fenômeno começa a ser cada vez mais frequente e a intensidade maior, como consequência das mudanças climáticas. Para se ter ideia, a distância entre as ocorrências que eram de 15 anos, 9 anos, agora estão em dois e três anos.

As consequências são gigantescas e colocam toda o planeta em alerta. Das enchentes no Rio Grande do Sul às queimadas no Pantanal, todos os efeitos são gerados pelo planeta mais quente.

Em 2024, vivenciamos o fogo consumindo 157% da área do Pantanal. Foi o terceiro ano com maior extensão queimada, com um total de 2,2 milhões de hectares. Por dias, o céu de cidades de Mato Grosso do Sul foi encoberto pela fumaça das queimadas.

O que esperar?

Nos últimos dias, o MetSul repercutiu um alerta feito pelo cientista James Hansen, que por anos liderou a unidade de estudos climáticos da NASA, e destacou que o El Niño pode trazer temperaturas globais recordes nos próximos dois anos e uma nova escalada do aquecimento global.

Segundo ele a grande questão é que o planeta está muito mais quente do que antes e o fenômeno potencializa tudo. Segundo Hansen, mesmo um evento de intensidade moderada pode ser suficiente para empurrar a temperatura global a níveis nunca antes registrados.

Conforme o MetSul, Hansen sugere que o mundo pode atingir o limite de 2°C de aquecimento já na década de 2030, logo muito antes do que indicavam projeções anteriores, que apontavam para meados do século.

Se o El Niño se confirmar, o que é quase uma certeza, Hansen projeta que a temperatura global pode atingir cerca de 1,7°C acima dos níveis pré-industriais em 2027. Antes disso, mesmo com a influência da La Niña, o planeta já pode registrar cerca de 1,4°C em 2026.



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