Após 3 décadas, foragido por assassinar ex-esposa com 72 facadas é preso no Paraguai

DOURADOS INFORMA LUIZ GUILHERME


Brasileiro Marcos Campinha Panissa, de 57 anos, foi preso ontem (Foto: Divulgação/Senad)

A polícia paraguaia prendeu nesta quarta-feira (15/4), o brasileiro Marcos Campinha Panissa, de 57 anos, que há 31 estava foragido e era procurado por assassinar a ex-esposa Fernanda Estruzani Panissa, com 72 facadas em Lodrinha (PR), em 1989. Ele já é condeado a 21 anos e seis meses de prisão pelo crime.

A prisão foi resultado de operação batizada de Otelo pelo Gise (Grupo de Investigação Sensível) da Senad (Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai), em cooperação com a PF (Polícia Federal) brasileira, que havia compartilhado informações de inteligência indicando a provável presença do foragido em território paraguaio.

Panissa constava na Difusão Vermelha da Interpol — o mais alto nível de alerta internacional para localização de pessoas procuradas para extradição.

Em 2007, um telefonema ao Ministério da Justiça indicou uma possível prisão nos Estados Unidos, mas a informação jamais foi confirmada oficialmente pela Polícia Federal ou pela Interpol. Em 2020, investigadores de Londrina chegaram a montar campana em um endereço no Brasil, após denúncia anônima ao Ministério Público, porém, sem êxito.

Segundo a Secretaria Nacional Antidrogas, Panissa havia ingressado no Paraguai sob o nome falso de José Carlos Vieira, identidade com a qual obteve documentação paraguaia regular. Além disso, ele teria se estabelecido inicialmente no departamento de Concepción, onde constituiu família, antes de se mudar para San Lorenzo, cidade da região metropolitana de Assunção, onde vivia discretmente e se dedicava a atividades comerciais.

O crime

Em 6 de agosto de 1989, Fernanda Estruzani, então com 21 anos, foi brutalmente assassinada no apartamento onde morava no Edifício Hedy, na Avenida São Paulo, no centro de Londrina. O instrumento do crime foi uma faca de mergulho. O casal tinha se casado alguns anos antes, quando ela tinha 17 anos, e havia se separado. Tinham uma filha de quatro anos.

Réu confesso, Panissa afirmou que não aceitava ver a ex-esposa iniciando um novo relacionamento. O crime chocou o país e foi destaque nacional, sendo exibido anos depois pelo programa Linha Direta, da Rede Globo.

Julgamentos

O caso Panissa é também um retrato das fragilidades do sistema judicial brasileiro da época. Foram quatro convocações ao Tribunal do Júri, três julgamentos efetivos e nenhum dia de prisão cumprido.

1991: Primeira condenação — 20 anos e 6 meses de prisão.

1992: Novo júri a pedido da defesa; pena reduzida para 9 anos. Ministério Público recorre.

1995: Terceiro julgamento marcado. Panissa não comparece. Prisão preventiva decretada. Fuga definitiva.

2008: Julgado à revelia após mudança na legislação, foi condenado a 21 anos e 6 meses de reclusão. Mandado de prisão renovado.

2018: A juíza Elisabeth Khater alertou que, se Panissa não fosse capturado até novembro de 2028, o crime prescreveria. Na ocasião, pediu à Interpol a prorrogação da Difusão Vermelha.

Agora, Panissa deverá ser levado para a Penitenciária Estadual de Londrina para cumprimento da pena em regime fechado, sob supervisão da Vara de Execuções Penais de Londrina.



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