CAPITAL
Rombo na previdência obriga prefeitura a repassar R$ 104,7 milhões ao IMPCG
TOP MIDIA NEWS BRENDA SOUZA
A edição do Diogrande (Diário Oficial) de Campo Grande, publicada nesta quarta-feira (8), revelou um cenário de forte desequilíbrio nas contas do IMPCG (Instituto Municipal de Previdência de Campo Grande), responsável pela gestão da aposentadoria dos servidores municipais.
De acordo com os dados divulgados no documento, o instituto encerrou o ano de 2025 com um déficit de aproximadamente R$ 112 milhões. As despesas somaram R$ 704,4 milhões, enquanto as receitas ficaram em R$ 592,4 milhões. Por conta disso, o sistema teria operado no vermelho, ficando ainda mais dependente de outros meios para se manter.
Para evitar atrasos no pagamento de aposentados e pensionistas, a Prefeitura de Campo Grande precisou fazer um aporte de R$ 104,7 milhões ao longo de 2026.
Ou seja, a prefeitura tirou dinheiro de outras coisas, como saúde, educação e até mesmo do asfalto, para cobrir o rombo criado pela previdência.
Outro ponto que chama atenção no documento é o risco na política de investimentos do instituto, como o caso da aplicação no Banco Master, já denunciado no final de 2025 pelo TopMídiaNews.
Na ocasião, o IMPCG tinha R$ 1,4 milhão aplicados em Letras Financeiras do Banco Master, que entrou em liquidação extrajudicial em novembro de 2025 por decisão do Banco Central do Brasil. Com isso, o órgão municipal precisou recorrer à Justiça, com pedido de tutela de urgência, para tentar recuperar ou compensar os valores investidos.
Além do déficit financeiro imediato, o relatório também aponta um problema estrutural de longo prazo. O passivo atuarial do instituto, que representa o total de obrigações futuras com aposentadorias e pensões, já chega a R$ 10,3 bilhões. O patrimônio líquido, por sua vez, está negativo em cerca de R$ 10,2 bilhões, indicando que o sistema previdenciário municipal acumula um déficit bilionário.
A reportagem procurou a prefeitura para falar sobre o tema, mas, até a publicação desta matéria, não teve resposta. O espaço segue aberto para manifestações futuras.
COMENTÁRIOS



PRIMEIRA PÁGINA




