Relatório da CPMI do INSS registrará fatos de fraude mesmo sem aprovação, diz Tereza Cristina

MIDIA MAX VINICIOS ARAUJO


Tereza Cristina, senadora pelo PP-MS. (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

Apesar da interrupção dos trabalhos da CPMI do INSS após decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) derrubar a prorrogação da comissão, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) ressaltou que o documento final produzido pelo relator terá um papel fundamental na exposição das irregularidades identificadas desde agosto de 2025.

A parlamentar considerou a decisão dos ministros como uma “decepção”. Ela defendeu que o colegiado necessitava de ao menos 60 dias adicionais para aprofundar as investigações sobre o sistema de empréstimos consignados, que afetou aposentados e pensionistas brasileiros.

“Nós ainda temos o relatório, o relator é uma pessoa muito competente, honesta, preparado para isso, porque ele é um promotor público. E agora nós precisamos esperar votar esse relatório, que dificilmente será aprovado na comissão, porque a base do governo tem maioria, mas, com o relatório lido, a sociedade brasileira vai poder ter os esclarecimentos que ela precisa sobre o que foi essa fraude terrível”, afirmou a senadora.

Avaliação dos resultados e obstrução política

Para a parlamentar, o encerramento precoce impediu que a comissão avançasse sobre o sistema financeiro e identificasse falhas estruturais que permitem fraudes contra aposentados.

Tereza Cristina apontou a existência de uma “blindagem” por parte do Governo Federal para evitar a convocação de figuras ligadas à atual gestão e ao partido do presidente.

“A comissão teve um papel relevante. Foram muitos os obstáculos, mas muita coisa foi feita: 51 reuniões, 14 prisões, 43 quebras de sigilo e quase R$ 3 bilhões bloqueados na Justiça. É dinheiro do aposentado que foi roubado. As fraudes quase triplicaram no governo Lula. Descobrimos ligações com parentes de altas autoridades e operações de fintechs além do Banco Master, mas nós precisávamos ir mais fundo. Então, acho que ela cumpriu o seu papel, não de maneira completa, como era necessário, mas cumpriu um papel muito importante”, avaliou.

A senadora destacou ainda que os dados coletados durante os meses de trabalho indicam uma curva de crescimento nas atividades ilícitas dentro do órgão previdenciário.

“Ficou claro, a gente tem gráficos que quase que triplicaram as fraudes durante esse governo. As investigações tinham que se aprofundar um pouco mais e punir, doa quem doer, todos aqueles que fraudaram o INSS dessa maneira tão, enfim, que deixa a todos os brasileiros perplexos”, declarou.

Perspectivas para o encerramento

Mesmo integrando a minoria diante da oposição dentro do colegiado, Tereza Cristina reforçou que a leitura do relatório oficial servirá como um registro histórico e institucional das denúncias apuradas.

“Eu acho que se o relatório, enfim, ficar pronto e for lido, mesmo que ele não seja aprovado, porque nós somos minoria na comissão, o relatório deixará registrado os fatos e os acontecimentos dessa fraude”, concluiu.



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