Denunciado por ex-amante, ex-secretário é obrigado a entregar armas na delegacia

INVESTIGA MS WENDELL REIS


O agora ex-diretor da Fundação Municipal de Esportes, Sandro Benites, foi obrigado a entregar duas armas de fogo na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam).

A entrega obrigatória ocorre após uma mulher, que disse ser amante por seis anos, denunciar o ex-vereador por violência doméstica. Ela conseguiu medida protetiva contra o médico, que precisou entregar as armas.

Após o escândalo, Sandro Benites, que estava em Dubai recentemente, pediu exoneração da Fundação Municipal de Esportes.

Polêmica

Sandro Benites não conseguiu se reeleger vereador. Ele é primeiro-suplente da coligação . Durante o mandato, sofreu denúncia na comissão de ética ao discursar em frente ao quartel, pedindo intervenção militar após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva.

Após o discurso, foi denunciado pelo Ministério Público Federal. Para não ser condenado, fez acordo de não persecução penal, e pagou R$ 7 mil para dar fim ao processo.

O caso que levou à exoneração na Funesp:

A Justiça concedeu medidas protetivas de urgência contra Sandro, enquadrando-o na Lei Maria da Penha por violência psicológica contra uma mulher com quem manteria um relacionamento extraconjugal há seis anos.

A bomba estourou após a vítima registrar um Boletim de Ocorrência na 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM). O estopim para a denúncia teria sido um ataque de fúria do diretor municipal logo após retornar de Dubai, onde recentemente virou notícia ao relatar “pânico” com os bombardeios entre Israel e Irã.

Segundo relatos detalhados nos autos e por pessoas próximas, Sandro usou a chave que tinha da casa da vítima para invadir o local e proferir ameaças. Acusando a mulher de ter “outro namorado”, o ex-vereador tentou tomar o celular dela à força para apagar mensagens comprometedoras.

A vítima afirma que descobriu que a recente viagem de Sandro para a Europa e Dubai foi feita ao lado da esposa oficial a quem ele jurava manter “um casamento apenas no papel”.

Ao analisar o pedido de socorro da vítima, o juiz José Henrique Neiva de Carvalho e Silva viu risco iminente à integridade da mulher caso o ex-vereador continuasse com “liberdade absoluta”.

“Vislumbra-se o risco emergente […] a qual merece, então, ser restringida, para evitar possível reiteração da conduta ou, então, a evolução para uma ação mais grave”, despachou o juiz.

Agora, Sandro deve manter distância mínima de 500 metros da vítima, de seus familiares e de testemunhas. Qualquer mensagem, ligação ou tentativa de contato pode levá-lo direto para a cadeia, com a decretação imediata de prisão preventiva.

Procurado pelo InvestigaMS para se explicar, Sandro Benites optou pela lei do silêncio e não respondeu mensagens. O espaço do Investiga MS segue aberto.



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