Marçal Filho, as eleições de 2024 e o sonho de retomar a autoestima de Dourados


entrevistou o radialista, advogado e político Marçal Filho, aclamado como forte candidato a prefeito de Dourados em 2024. Ele nos recebeu com muito carinho na sede da 94 FM, no conhecido Prédio das Araras, no centro da cidade.

No início de 2023, o Instituto de Pesquisa Resultado (IPR) e o jornal Correio do Estado mostraram pesquisa que, se as eleições municipais acontecessem neste ano, o ex-deputado estadual Marçal Filho (PP) seria eleito prefeito com 35,48% da preferência dos entrevistados.

Durante a entrevista, Marçal falou da Câmara de Vereadores no shopping e da reforma parada, apresentou sua experiência em eleições, opinou sobre a atual gestão municipal de Dourados, comentou sobre seu futuro partidário e ainda mencionou qual seu sonho para o futuro de Dourados.

 

Folha de Dourados: Primeiro, agradecemos essa oportunidade, para nós é uma grande honra. Marçal, em 2016 você conseguiu se consagrar como o vereador mais bem votado da história de Dourados, com incríveis 4.065 votos. Ou seja, você entrou para história da Câmara de Vereadores de Dourados e aí vai minha primeira pergunta. Atualmente, a Câmara Municipal vive um escândalo milionário. A obra de reforma do prédio está parada após ser avaliada em 17 milhões de reais. Qual sua opinião?

Marçal Filho – Primeiro, eu respeito muito os vereadores e cada um deles está lá porque foram colocados pelo povo, as pessoas votaram acreditando no trabalho deles. Alguns reeleitos e muito bem reeleitos. Em relação aos 17 milhões da reforma e da colocação da Câmara no shopping eu acho que, independentemente de existir ou não fraude, até porque não há julgamento até então, o fato é que não é o momento de fazer gastos extraordinários beneficiando o próprio poder público. O número de pessoas que usa a Câmara de Vereadores é muito pequeno e não era um prédio tão desconfortável assim, eu já estive lá. Existem problemas de ordem elétrica e hidráulica, mas não era preciso uma reforma de 17 milhões para melhorar as condições. Neste momento, a Câmara não poderia se dar ao luxo de fazer essa reforma, porque no final das contas isso beneficia o poder público e não a população. Esse dinheiro poderia ser devolvido para a Prefeitura, com o compromisso de investir na saúde e isso de forma muito transparente, afinal falta material básico na saúde de Dourados, como papel higiênico e papel sulfite. Além dos 17 milhões, ainda tem o valor do aluguel do shopping, o que encarece muito mais o custo.

“FALTA MATERIAL BÁSICO NA SAÚDE DE DOURADOS, COMO PAPEL HIGIÊNICO E PAPEL SULFITE”
Em 2020, a conjuntura política decidiu pelo nome do então deputado Barbosinha, agora vice-governador, para a disputa com Alan Guedes. A partir da sua experiência, qual foi o erro da campanha? O que faltou? O que poderia ser diferente?

Sinceramente, esse é um ponto muito complicado. É difícil você dizer qual a razão da sua derrota quando você perde uma eleição. Eu mesmo, na última eleição, perdi. Claro que eu tive uma votação muito boa, atualmente, quase metade dos deputados da Assembleia não teve a minha votação. No caso da Prefeitura é diferente, ganha mesmo o mais votado. Todas as vezes em que eu perdi a eleição eu não atribui isso a ninguém, eu admito minha falha e não fico dizendo que tal pessoa deu pouco apoio a mim, ou que fizeram “isso, aquilo”.  Então, eu não consigo analisar. A eleição depende do momento, da emoção e do encantamento do eleitor.

Vamos falar, então, de um correligionário seu. Atualmente o senhor está no PP, mesmo partido do atual prefeito, Alan Guedes. Você, por ser um grande comunicador, fala com as pessoas todos os dias e ouve delas as reclamações e os elogios. Como vê a gestão de Alan Guedes e onde tem sentido maior dificuldade para a vida das pessoas?

Sem dúvida, a saúde. É preciso responsabilidade com a saúde. Claro que não é possível chegar em uma saúde perfeita, isso não existe. Agora, você não pode deixar que materiais básicos faltem para o atendimento da população. Falta de papel para imprimir receitas, falta de manutenção de um ar condicionado, falta de materiais para atendimento odontológico, aliás, são dois anos e meio sem material para dentistas trabalharem, não dá pra entender. Deixar a cidade no estado em que ela se encontra, nessa buraqueira, não dá pra aceitar. É muita demora para reagir! O que me parece é que o prefeito tomou a atitude de fazer caixa e de deixar tudo para fazer agora, para que isso tenha efeito na eleição que vem aí. Porque isso não tem explicação.  No primeiro ano, ele deixou o matagal tomando conta de Dourados, a iluminação pública durou quase dois anos. Então eu acho que ele fez uma estratégia, para que suas ações ganhem destaque no último ano de governo. Eu acho uma gestão desastrosa! E o pior de tudo é a posição do prefeito, pois quando você é líder, quando você comanda, os comandados se espelham em você. Eu sei disso porque sou o líder na minha empresa. Para Alan Guedes falta atitude diante dos problemas, não tem como empurrar com a barriga. É preciso passar confiança para a população. A falta de atitude do líder, do prefeito cria no povo de Dourados uma baixa autoestima, isso pra mim é lamentável. Eu amo minha cidade e as pessoas não merecem isso.

“PARA ALAN GUEDES FALTA ATITUDE DIANTE DOS PROBLEMAS, NÃO TEM COMO EMPURRAR COM A BARRIGA…EU ACHO UMA GESTÃO DESASTROSA”
Marçal, você já foi vereador, deputado estadual e deputado federal mas, nunca foi prefeito e nunca se elegeu para o Poder Executivo. Agora, pretende ser candidato a prefeito de Dourados. Você se sente preparado?

Eu fui deputado federal por 12 anos e a primeira coisa que a pessoa deve ter é conhecimento dos problemas da cidade e, principalmente, dos bairros, das pessoas e o que elas passam. Mariana, eu posso afirmar tranquilamente que eu sei muito bem dos problemas, eu tenho muita sensibilidade em relação a vida das pessoas, tenho empatia e estou cotidianamente nas casas dos cidadãos e cidadãs para auxiliar como posso. Sou douradense, nasci aqui. A Prefeitura é uma espécie de empresa pública e eu tenho uma empresa privada que em 2023 completa 22 anos, um negócio forte e muito bem avaliado no mercado. Advoguei por um tempo também e fui muito bem. No entanto, meu maior exercício de gestão foi dentro da minha emissora. Eu sei ver o potencial de cada trabalhador e atribuir funções que possam completar competência e necessidade. O principal ponto de um líder é reconhecer e aproveitar talentos. Áreas técnicas precisam de um perfil e áreas políticas de atendimento ao público precisam de uma outra expertise.

Aproveitando o gancho, o que acha do secretariado de Alan Guedes?

Bem, como eu já te disse, os comandados são espelho de um líder. Então se a liderança é devagar, morosa e não está preocupada, seus comandados vão agir da mesma forma. É o comandante que dá o tom. Vou te dar um exemplo e até acho que eu não deveria falar, mas isso pode me ajudar a emitir minha opinião. O exemplo é o seguinte: se eu escolho uma pessoa para ser meu secretário de Educação e esse secretário tá lá no sábado, meio dia, tomando uma cervejinha no boteco, no seu descanso merecido e vê um buraco em frente ao estabelecimento… Essa pessoa tem que pegar o telefone e avisar o setor competente daquilo, tem que ter atitude, tem que escolher pessoas que vistam a camisa e não almofadinhas. Ter uma equipe para todos os momentos. Não posso falar pelos outros, mas eu montaria essa equipe, comigo pra todas horas. Então, eu não analiso individualmente cada secretário do Alan, até porque eu nem os conheço. Mas eu sou procurado constantemente, e percebo que existem situações muito críticas.

“NÃO ANALISO INDIVIDUALMENTE CADA SECRETÁRIO DO ALAN, ATÉ PORQUE EU NEM OS CONHEÇO”

Agora sobre as tratativas partidárias. Assunto que está tomando os corredores da política. Recentemente, inclusive, o deputado estadual Zé Teixeira (PSDB) disse que o convidou para retornar ao ninho tucano. Em que pé está tudo isso?

Sabe o que eu acho engraçado, Mariana? Às vezes, quando chego no trabalho leio no noticiário que o Marçal Filho foi em uma reunião com fulano de tal, mas o fato é que nem eu sabia de tal reunião. Eu sou o noivo que não foi convidado para o casamento (risadas). Em relação ao convite, o único convite feito partiu mesmo do deputado Zé Teixeira, mas eu já tomei a iniciativa de ir conversar com Reinaldo Azambuja (PSDB) e com o governador Eduardo Riedel (PSDB). Inclusive, quando Reinaldo foi prefeito de Maracaju eu era deputado federal do PSDB e ajudei muito na busca de recursos para melhoria estrutural daquela cidade que se tornou a primeira de MS a ser completamente asfaltada.  Então, o que eu vejo nas notícias e o que eu posso dizer é que está havendo muito conflito no PSDB, declarações públicas muitas vezes equivocadas, parece que o partido está conflagrado. Eu não sou do partido, então não devo me meter. A mim, cabe fazer meu trabalho, pois tenho até o final de março e não tenho essa preocupação. Estou conversando com vários partidos, mas enquanto tiver tempo, eu vou buscar um que me dê condições totais de ser candidato, e não estou falando de dinheiro não, pois eu penso que não precisa de muito dinheiro para ganhar uma eleição de prefeito. É preciso, no entanto, que a população confie em mim e no meu projeto.

“EM RELAÇÃO AO CONVITE, O ÚNICO CONVITE FEITO PARTIU DO DEPUTADO ZÉ TEIXEIRA”
Se o senhor chegar a ganhar as eleições e se tornar de fato o 25º prefeito de Dourados, qual o sonho do Marçal Filho para Dourados?

Bem, eu sempre digo para a classe empresarial e para o empreendedorismo douradense que eu acredito muito na economia da cidade, mas que os agentes públicos ainda não acompanham a velocidade e força desse desenvolvimento econômico. Então eu quero ser um prefeito que esteja ao lado do desenvolvimento que a cidade merece. Agora, principalmente, eu sonho em ser o prefeito que, de fato, ajude os que mais precisam, que tenha pulso firme para garantir uma saúde digna ao povo douradense. Aliado a isso, tenho uma preocupação muito grande em retomar a autoestima de quem mora aqui; me dói muito ver jovens saindo da cidade, ouvir pessoas que estão descontentes com o município e que por vezes dizem não gostar da nossa cidade. Me dói muito quando alguém me diz que tem “vergonha” de morar em Dourados.  Eu não consigo aceitar isso e quero ser o prefeito que vire essa página da nossa história e retoma o amor e o carinho dos moradores pela cidade.  Buracos, matagal e descaso com saúde precisam ser resolvidos. E o aeroporto? Pelo amor de Deus!  Olha o tempo que esse aeroporto está parado e o quanto estamos perdendo com isso. É um absurdo termos que ir até Ponta Porã, com todo respeito à cidade de Ponta Porã, mas Dourados é a segunda maior cidade do Estado. Mariana, temos 24 deputados estaduais, 8 deputados federais e 3 senadores, todos pegam votos em Dourados. Tenho certeza que não se furtarão em ajudar, mas é preciso pedir! O assunto interessa a Dourados e não podemos deixar que vire pauta de um ou outro, o aeroporto servirá para todos. Eu fui deputado federal e sei que o prefeito é quem precisa fazer o meio de campo e articular o pedido à bancada, e quando conseguir o dinheiro é preciso prestigiar quem viabiliza a verba e não ficar usando as obras como palco, ou deixar que vire uma moeda eleitoreira. Eu tenho esse traquejo, eu sei como fazer isso. Outra coisa, devolver emenda é o fim do mundo, o absurdo dos absurdos e não é possível aceitar que devolvam recursos.

“DEVOLVER EMENDA É O FIM DO MUNDO, O ABSURDO DOS ABSURDOS E NÃO É POSSÍVEL ACEITAR QUE DEVOLVAM RECURSOS”
 
Mariana Rocha –



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